O texto a seguir escrevi para a Ana Claúdia num blog onde ela selecionou 40 mulheres de sua história em comemoração ao seu aniversário de 40 anos.  
 
Falar da Ana e da nossa amizade não é tão fácil para mim, sou uma pessoa cheia de memórias, mas assim como meus papéis e livros, são memórias desorganizadas... 
Não tenho memória temporal, ou seja, não tenho memórias de datas, anos, meses...
Minha memória é mais afetiva, apega-se aos fatos marcantes, sensações, cheiros, e os guarda em algum cantinho do meu cérebro para serem rememoradas sempre que a saudade pedir... Por conta disso, não sei dizer precisamente há quanto tempo conheço a Ana, mas com certeza já são quase duas décadas... 
E esse tempo me proporcionou desfrutar do convívio dessa pessoa tão marcante, tão forte, tão simples e tão sincera, mas ao mesmo tempo tão complexa e frágil. A Ana, além de ser humano é uma instituição por conta dos seus valores e de sua história junto à juventude católica brasileira. E a maioria das pessoas conhece só esta face de Ana. Não conhece como eu e alguns privilegiados a Ana Cláudia mulher que tem os mesmos problemas, anseios e medos que qualquer uma de nós. 
Lembro com clareza do nosso primeiro encontro: eu recém chegada à PJ, representava minha diocese pela primeira vez num encontro de sub regional, onde a minha cidade e a dela estavam alocadas. Estava toda encantada com isso, era importante para mim, porque era a primeira vez que viajava para representar minha diocese, se é que podemos chamar viagem sair de Guarulhos e ir até Mogi das Cruzes. E existia toda uma paixão inicial pela Pastoral da Juventude que me empolgava e me movia naquele momento. Chegamos na sexta-feira à noite e fui apresentada a algumas pessoas, mas nesse dia a Ana chegou bem tarde e só fui conhecê-la na manhã de sábado.
E esse primeiro encontro foi especial: após o café da manhã, foi feita uma dinâmica para integrar os participantes e, por coincidência, a Ana foi minha parceira nesse momento em que eu deveria apresentá-la aos presentes e vice-versa... Eu já havia ouvido muito falar da Ana pelos meus companheiros de pastoral, que já estavam acostumados a esses encontros nos quais ela sempre fazia a diferença. Isso significa que, para mim, a ANA CLÁUDIA, de Osasco era um mito... Imagine, então, no meu primeiro encontro, ter o privilégio de dividir alguns momentos com ela... Só sei que, alguns encontros mais tarde, a Ana se tornou uma grande amiga... acabei me tornando secretária regional da Pastoral da Juventude e por isso, por muitas vezes, viajamos juntas, ela já como assessora da PJ de São Paulo. E nessas viagens nossa amizade se intensificou, era quando tínhamos um tempinho para falar da vida pessoal, dos nossos objetivos, casos amorosos, desafetos e problemas e, com isso, cada uma de nós ia conhecendo a outra mais um pouquinho... 
Ah, e tinha a casa da ANA. A casa da Ana era uma espécie de quartel general da PJ de São Paulo e por isso vivia lá. Volta e meia reuniões eram marcadas no quartinho da Ana Cláudia: dividíamos espaço com cartazes, livros, atas e uma papelada sem fim... e acabava dormindo lá. Eu e tantas outras pessoas que contávamos com a hospitalidade da Ana e de sua família... dividíamos lanches, dividíamos colchões, dividíamos sonhos... Só não dividíamos dinheiro porque ninguém tinha nada! Mas era um tempo de uma felicidade inexplicável, em que sonhos coletivos se sobrepunham aos sonhos pessoais... 
Mas um dia eu fiz uma opção; dessa data eu me lembro muito bem: Janeiro/2001! Resolvi que meu tempo na PJ havia terminado! Estava exausta e havia me abandonado demais, também estava decepcionada com minha paróquia e meio incrédula frente a algumas ações da hierarquia da Igreja que pude conhecer mais de perto por conta da minha posição na PJ... Havia outras alternativas de trabalhos pastorais a serem feitos, mas eu decidi que me afastaria totalmente até que sentisse que deveria voltar (e esse tempo ainda não chegou).
Comuniquei a todos e à Ana que eu sairia da PJ. Lembro-me vagamente de que Ana me falou de continuar em outras frentes, mas eu, realmente, estava certa da minha opção e, naquele momento, pensei que estaria definitivamente deixando tudo para trás, mas não foi bem assim... 
Nos primeiros meses me empolguei com a minha nova condição: tinha agora tempo para mim, ia para a balada, viajava; me envolvi emocionalmente com algumas pessoas erradas, conheci meu grande amor, fugi dele, voltamos... e por esse tempo fiquei distante das pessoas da pastoral. Em Agosto deste ano, fomos, eu e a Sheila (outra pessoa especial que também tem a sorte de conhecer a Ana) à Campinas, para o Congresso Eucarístico Nacional. Queríamos aproveitar esse momento especial para rever os amigos da PJ, e encontrei a Ana. Batemos um papo rápido - ela estava envolvida com uma atividade da PJ - senti-me estranha depois... senti que não dava para deixar para lá a amizade que construí com a Ana e nem com outras pessoas da pastoral...
Voltei para Guarulhos pensando em como eu poderia estender essa amizade além de um grupo social, em como trazer a Ana para a minha vida pessoal... Foi então que num dia daquele mesmo ano, resolvi ligar para a Ana e batemos um longo papo... um papo que não girava em torno da PJ... Eram duas velhas amigas que agora conversavam sobre a vida. E depois disso, nesses últimos 9 anos, outros papos vieram, uns raríssimos encontros, um almoço na Ana para apresentar o homem que começara a fazer parte da minha vida no mesmo ano que abandonei a PJ... e foi por fone mesmo que ela me contou do seu namoro, dos seus planos... outro almoço para ver as fotos da viagem da Ana para a Alemanha ... E um dia a Ana me avisa:
-Vou casar, vou embora...
Engraçado que, quando me contou isso, fiquei preocupada e assustada com a possibilidade de nunca mais falar com ela. Talvez isso seja culpa do mundo louco onde vivemos. Mas, ao contrário, nos falamos mais hoje do que nos 9 anos anteriores...Fui a seu chá de cozinha e novamente, como uma despedida, dividimos o mesmo quarto para dormir... Fui ao seu casamento e registrei, nessa minha memória totalmente emocionalmente conturbada, sua felicidade e emoção... Fui ao aeroporto por 3 vezes me despedir da Ana e, em toda nova despedida, fico torcendo para que o nosso próximo encontro seja breve... E me preocupo toda vez que fico muito tempo sem notícias: se tem uma forte nevasca na Alemanha, se existe alguma coisa esquisita em qualquer lugar da Europa... Acho que essa preocupação só tem uma explicação que uma frase feita pode resumir: “Amigos verdadeiros são irmãos que escolhemos!”. Ela não pôde estar no meu casamento, chegou dias depois... mas sua família estava lá e senti que eles, em especial Dona Ana, eram minha família também.
Com isso tenho certeza de uma coisa: a ANA é uma irmã com que a vida me presenteou! 

 

 

 

 

INGRATIDÃO
 
De todos os defeitos   que  o  ser  humano, esse pode não ser o maior deles, mas é um dos mais feios: Ingratidão!
 Ser ingrato, cuspir no prato onde comeu, é sem dúvida uma das faltas mais graves...
Olha em volta e encontro tanta gente desse tipo. Gente que não diz um obrigado qualquer, que acha que as pessoas
a volta estão a sua disposição.
São pessoas que destratam vendedores em lojas, balconistas de padaria, reclamam da comida das esposas, xingam
as empregadas, não dão bom dia aos colegas de trabalho, e em geral, tem um "q" de ser superior que é pura marra...
Essas pessoas poluem o mundo com seu jeitinho infame... 
Às vezes, nos esquecemos de agradecer...sim, isso é possível... mas quando isso ocorre por esquecimento é passível de perdão,é passível de desculpas...
Pessoas gratas, são pessoas mais felizes e em geral tem a sua volta que lhe são agradecidas... são gente que recebe e troca
favores de forma espontânea e gratuita, ou seja, são pessoas que fazem por gentileza sem esperar nada de volta e consequentemente
tem a sua volta pessoas de índole igual...
Pense bem: ser grato aos outros é criar uma rede relacionamento verdadeiro, saúdavel e alegre, tudo isso gera felicidade!
Sejamos gratos e façamos a roda viva da felicidade girar.     

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DESPEDIDA

 

Esses dias não tem sido fáceis, uma espera que ora pedimos para terminar, ora  suplicamos a Deus que não termine... Como dizem minhas tias: sou a neta preferida ( filhos preferidos não existem, mas netos sim) e tento me controlar para não desabar diante desse fato! Estou amadurecendo  muito rápido, percebi assim de supetão que sou uma espécie de braço direito não só da minha mãe mas também das minhas tias que não se casaram e não tem filhos, descobri que
tenho a responsabilidade de ser amparo num momento difícil, coisa que nunca me ocorreu antes. 
Minha avó de 97 anos está bem doente no hospital e por mais que eu conheça o ciclo da vida, é  muito     difícil saber quealguém que amamos está indo embora de nossa convivência.
97 anos não são para qualquer um e nos últimos 05 anos ela tem provado a todos que só guerreiros chegam tão longe.É uma guerra particular de quem gosta muito de viver e de estar entre os seus.
Agora, nos raros momentos de lucidez plena veja uma alegria imensa em seus olhos em reconhecer filhos e netos aoseu lado, a animando nessa luta...Nos outros momentos, em que por muitos motivos de saúde ela perde a razão, repete várias vezes como um mantra:
14 filhos, 4 mulheres, uma morreu com 7 anos, todos estão criados e bem (ela se esquece que só criou 9), graças a Deus.Repete e repete, para mostrar a todos que sua maior conquista na vida foi ter criado praticamente sem pai ( me desculpemeu avô, que morreu a mais de 20 anos e quem não conheci porque minha vó acabou se separando) por ter um maridoandarilho e ausente, 9 filhos ( 3 mulheres e 6 homens, desses 03 filhos  falecidos nos últimos 10 anos todos com mais
de 60 anos)  que sobreviveram a tempos muitos difíceis na terra sertaneja pernambucana...         
  
Quero me conformar... quero estar preparada... perdi meu pai quando tinha 03 anos e minha mãe me diz que sofri muitomas realmente não me lembro... perdi amigos queridos, tios, mas nunca perdi alguém que estivesse tão presente naminha vida como ela... e tenho a sensação incômoda de que quando isso se consumar parte daquilo que sou estará indo emborae que terei que amadurecer de verdade em minhas atitudes perante a vida!
 
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 Esses dias
Fiquei preocupada como tenho ficado imune a tantas injustiças e deslealdades mundanas...

Não me importo mais com os noticiários de TV... nem me choca mais as maldades do humano... o que pode ser tão dolorido para o outro para mim não tem nada de especial...

Isso é tão engraçado (que sarcasmo o meu!), mas na realidade estou anestesiada diante do que o homem pode fazer de ruim ao outro... os fatos se repetem com uma frequência inacreditável e o que poderia ser tratado como extraordinário, hoje é corriqueiro... morrerram dez, namorado assassinou a ex, o pai matou dois filhos e atirou no resto da família... fatos que se repetem dia a dia... e que por incrível que pareça ainda assusta muita gente... Nossa! - você deve estar pensado -  que pessoal insensível! Não, não sou insensível! Apenas não me deixo mais abater ou supreender por essas coisas... não estou banalizando a maldade, nem substimando seu alcance e o que provoca no mundo ... só não mais me deixo cicatrizar...

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Mascarados

 Às vezes me dizem que sou ácida demais, que sou crítica demais, que sou inflexível...

mas, não é isso...
acho mesmo que sou uma pessoa bem tolerante, costumo me dar com as pessoas mais dificéis,
àquelas que são consideradas chatas, desvairadas e mau humoradas. Sempre encontro em
cada ser algo de bom, alguma qualidade que fica apagada por entre os defeitos tão evidentes.
Essas pessoas, não mudam sua postura, seja esta boa ou ruim e portanto, em boa parte do tempo
são autênticas. Por isso, são as que são segregadas, excluídas...   
Na verdade, sempre enxergo pessoas e a vida com um olhar um pouco mais apurado
e fico indignada ( acho que isso resume tudo ) como muita gente nessa vida faz tipo...
Algumas mulheres se fazem de ingênua... outras de avassaladoras...outras de mandona...
algumas de independentes...
Existem homens que se fazem de machões, outros de vilões e alguns de sensíveis...
a verdade é que a maioria de nós em boa parte do tempo usa algumas máscaras como
meio de defesa... e essas máscaras vão escondendo  o melhor e o pior de cada um...
Autencidade é algo muito complicado... ser genuíno, ser verdadeiro é muito perigoso...
Sim... temos nossos momentos, aqueles em que sentimentos incontroláveis nos expõem de verdade.
Ora por raiva, ora por tristeza, algumas vezes por amor... nos traímos e caímos numa bela armadilha e o que
somos em essência vem a tona e pode chocar os que pouco nos conhecem... fragilidade ou brutalidade...
sensibilidade...
 
Levantar a bandeira da Autenticidade Plena é besteira... Não existe pessoa que irá resistir ao mundo
sendo completamente verdadeira... é uma questão diplomática de sobrevivência e para que a humanidade
viva com alguma paz é preciso que cada um de nós domine ao menos os demônios pessoais mais revoltos...
e seja pacífico ( nunca passivo).
 
Mas, é interessante que mais rotineiramente, você se mostre como é, expondo suas idéias e posturas
em relação à fatos e pessoas... Isso pode ser um modo de os outros te conhecerem melhor e não
se melindrarem quando você num momento de fúria se mostrar cruel  ou descontrolado.
Buscar ser o mais autêntico "possível" é uma estratégia para assegurar relações e facilitar o perdão.
Pense nisso!
 
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O INTROMETIDO DO TRAMPO
Todo mundo conhece um, todo mundo já teve a infelicidade de encontrar um desses por aí!
 
O intrometido,  esse serzinho singular é perigoso: sabe aquele cara que pega carona na sua conversar,
que comenta tudo o você diz ( até parece radialista narrando jogo de futebol ), que sabe tudo
que acontece e te conta em segredo ( conta para você, para seu colega ao lado, para o cole
ga de outro departamento, mas sempre em segredo, tá?)...é incoveniente, comenta coisas para
os outros que não se diria nem para a mãe, se faz de cúmplice e de íntimo...
 
Esse cara é chato... ele até tem lá seu valor enquanto isso te interessar...mas, em geral,
se você não se cuida, ele pode te levar para uma enrrascada daquelas...
 
Na maioria da vezes, ele não se mete em mau lençóis, entretanto, meu amigo, minha amiga,
ele pode te colocar em panos quentes... e como é que você sai dessas? Sinceramente, dizer
que foi "fulano" que te contou pode demonstrar aos outros como você é ingênuo ou não confiável!
 
Tenho uma receita para te livrar desse ser maligno: ignore-ode leve!
Não dê atenção aos seus mais simples comentários, seja discreto nas suas falas, não comente
sua vida particular na frente dele... trate-o sempre bem, mas nunca com intimidade!
 
Não tente se livrar dele, você poderá se tornar o foco de seu "diz que diz" e isso não será bom
para você!
 
Não dê pano para manga, quando ele chegar com uma "quentinha" para você desvie do assunto
ou diga que está sem tempo, saber o que ocorre nos bastidores da empresa nem sempre é bom!
 
Se ele ficar te cutucando para ele falar de sua vida pessoal, fale-lhe sobre coisas vazias sem muita
importância mas com cores mais fortes, provavelmente sua história será contada por ele mais
adiante para outros colegas... então meça suas palavras... você com certeza não deseja ser
o assunto da semana!
 
Mas, tenha bom humor: em geral, esse cara é até divertido, sua canalhice chega a ser patética!  
 

 


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